Uma noite magnífica, da arte presente no futuro de centenas de crianças, um coro surpreendente na interpretação de Il barbiere di Siviglia; a esplendorosa presença de todos os presentes na execução do hino de Joinville, uma homenagem à altura do grande Ottokar Doerffel, um emocionante recital na graça de Luciana Bueno, Douglas Hahn e Matheus Alborghetti. Parabéns a todos os artistas, aos alunos das escolas municipais, autoridades e apoiadores presentes. Fotos: Pablo Teixeira

 

Informações

Uma noite especial em homenagem a um dos maiores nomes de Joinville, a 3ª Noite das Artes traz um recital com a mezzo-soprano Luciana Bueno, barítono Douglas Hahn e o pianista Matheus Alborghetti, para celebrar os 200 anos do nascimento de Ottokar Doerffel.

Prefeito de Glauchau/Alemanha; contador e tesoureiro na direção da Colônia Dona Francisca; primeiro prefeito de Joinville, fundador do segundo jornal em alemão da região sul do Brasil, o Kolonie-Zeitung (1862-1942); fundador da Sociedade Harmonie; primeiro cônsul honorário e com importante atuação na fundação da Colônia Agrícola de São Bento do Sul.

Foi cronista, matemático e jornalista – escreveu três livros importantes para a história da Colônia Dona Francisca. A belíssima casa que construiu, é sede do Museu de Arte de Joinville desde 1976.

Programa

O repertório escolhido para homenagear Ottokar Döerffel vem de encontro inicialmente ao período em que viveu (1818-1906), onde temos quatro grandes compositores: Gioachino Rossini (1792-1868), Richard Wagner (1813-1883), Gustav Mahler (1860-1911) e Franz Lehár (1870-1948). As obras apresentadas tem caráter distintos e trazem momentos importantes na história como a ópera Tannhäuser, onde Wolfram que a ama em segredo, pressente a sua morte e canta-lhe uma das mais doces e belas árias “O du, mein holder Abendstern”.
A sinfonia n° 2 Ressurreição de Mahler nos traz o quarto movimento com a canção Urlicht que se refere ao herói onde readquire a sua fé e a esperança. Com Rossini entramos num momento leve e descontraído da ópera com O Barbeiro de Sevilha oferecendo uma música milimétrica em seus detalhes e execução, e que vai um pouco de encontro ao que Ottokar realizou, com diversas atividades durante sua trajetória e seus afazeres na cidade. A ária Largo al Factotum retrata certamente um pouco de como era sua vida nessa época.
Encerrando a noite com um tema muito conhecido do repertorio de operetas, gênero que foi amplamente difundido em sua época com a opereta Die lustige Witwe (A viúva alegre) e que trará
uma sensação nostálgica para essa linda noite dedicada à arte. Douglas Hahn – Diretor Artístico Harmonia Lyra

Urlicht (Gustav Mahler)

da 2° Sinfonia “Ressurreição”

O du mein holder Abendstern (Richard Wagner)

da ópera “Tannhäuser”

Una voce poco fa (Gioacchino Rossini)

da ópera “Il Barbiere di Siviglia”

Largo al factótum (Gioacchino Rossini)

da ópera “Il Barbiere di Siviglia”

Dunque io son, tu non m’inganni (Gioacchino Rossini)

da ópera “Il Barbiere di Siviglia”

Lippen Schweigen (Franz Lehar)

da opereta “Die Lustige Witwe” (A Viúva Alegre)

ARTISTAS

Luciana Bueno, mezzo-soprano

Douglas Hahn, barítono

Matheus Alborghetti, pianista

Curriculum

Luciana Bueno:

Estreou em O Barbeiro de Sevilha como Rosina, sob direção de Enzo Dara. Desde então tem se apresentado como Carmen (Carmen), Donna Elvira (Don Giovanni), Lola (Cavalleria Rusticana), João (João e Maria), Suzuki (Madame Butterfly), Meg Page (Falstaff), Katisha (O Mikado), Giulietta (Os Contos de Hoffmann), Aksinya (Lady Macbeth de Mtzenski), La Cenerentola (Cenerentola), Romeo (I Capuleti e I Montecchi), Mãe (Poranduba), Teresa (Magdalena), Mãe/ Xícara Chinesa/Libélula (O Menino e os Sortilégios), Marguerite (A Danação de Fausto), Dido (Dido e Aeneas), Miss Jessel (The Turn of the Screw), Mãe (O Menino e a Liberdade), Mariana / Velha/ Rita (Um Homem Só). Foi Suzuki, em Madama Butterfly, na Royal Opera Canada, solista no Messias de Häendel, Requiem de Verdi, Missa em Dó Menor de Mozart, Missa em Dó Maior e Nona Sinfonia de Beethoven, Lobgesang de Mendelssohn e 2ª Sinfonia de Mahler. Estudou com Pier Miranda Ferraro (Itália) e Leilah Farah (Brasil). Foi Lady Thiang no musical O Rei e Eu, com direção de Jorge Takla. Atualmente desenvolve repertório com Ricardo Ballestero.

Douglas Hahn:

Natural de Joinville/SC teve sua formação com Rio Novello e Neyde Thomas em Curitiba/PR. Estreou na Itália com Don Giovanni e La Bohème na cidade de Adria/Rovigo. Recebeu o Troféu Aldo Baldin pela Pró Música de Florianópolis. Requisitado com frequência nos maiores teatros do Brasil, tem em seu repertório mais de 40 papéis líricos completos. Apresentou-se na Sala São Paulo junto a OSESP com a Oitava Sinfonia de Mahler. Entre seus trabalhos mais recentes destacam-se L’amore dei tre rè no Teatro Amazonas (Manaus) e Teatro São Pedro (SP); As Bodas de Fígaro (Mozart) no Teatro Municipal do Rio de Janeiro; Don Pasquale (Donizetti) no Teatro São Pedro de Porto Alegre; La Traviata (Verdi) no Teatro Municipal de Chapecó; no Theatro Municipal de São Paulo, Fidélio (Beethoven) e Nabucco (Verdi). Apresentou-se também na Argentina, com as óperas Poliuto, Loreley e Aida no Teatro Avenida (Buenos Aires); Tristan und Isolde (Wagner) no Teatro Argentino de La Plata; Lucia di Lammermoor (Donizetti) no Teatro San Martin Libertador em Córdoba. Destaca-se como um dos poucos cantores brasileiros a se apresentar no prestigioso Teatro Colón (Buenos Aires/Argentina), protagonizando as óperas Un Ballo in Maschera (Verdi) e Macbeth (Verdi). Paralelamente a sua carreira como solista, vem colaborando como diretor artístico da Sociedade Harmonia Lyra de Joinville, desenvolvendo e promovendo projetos culturais para formação de público e fomento da música erudita como o projeto Interlúdio e o Festival de Ópera de Joinville.

Matheus Alborghetti:

Iniciou seus estudos musicais na Escola de Música Villa Lobos, da Casa da Cultura de Joinville, no ano de 2005. Em 2011, foi pianista da reinauguração do piano da Sociedade Cultural Lírica de Joinville, através do Projeto “Stein”. Participou das duas edições (2014-15) do espetáculo “Noite das Artes”, na Sociedade Harmonia Lyra de Joinville, acompanhando o barítono catarinense Douglas Hahn. Em agosto de 2014 começou a desenvolver, em conjunto com D. Hahn, o trabalho de música de câmara denominado “Interlúdio” na S.H. Lyra. Participou de quatro edições (2015 a 2018) do Festival de Música de Santa Catarina (Femusc) como pianista correpetidor das classes de canto de renomados profissionais, como o barítono Gino Quilico e o soprano Céline Imbert, e também de óperas (La Bohème – 2018); participou do Masterclass de correpetição e canto (2015), ministrado pelo maestro italiano Alessandro Sangiorgi; no mesmo ano apresentou-se, como cravista, no intermezzo “Il Maestro di Cappella”, em conjunto com a Camerata Dona Francisca (Jlle) e D. Hahn. Participou em 2016 na primeira edição de “Temporada de Óperas” em Maringá (ministrado pelo maestro A. Sangiorgi e pelo soprano Rosana Lamosa) e 2017 nos festivais em Joinville e Londrina. Atualmente faz bacharelado em piano na Unespar – EMBAP/PR, e desenvolve trabalhos de correpetição operística e música de câmara com instrumentistas, cantores e corais

Um Personagem Emblemático

Dilney Cunha -  Historiador
Para Ottokar Dörffel, advogado e ex-prefeito da cidade de Glauchau, na Saxônia, a reação conservadora, que esmagou o movimentos liberais e democráticos, mantendo o regime absolutista, representava o fim de um ideal de uma sociedade mais justa.

Ele e a esposa Ida, a exemplo de milhões de pessoas no século XIX, vão tomar a mais difícil decisão de suas vidas: emigrar,deixar seus lares, se despedir dos familiares e amigos e atravessar o imenso oceano, rumo a uma terra desconhecida, onde recomeçariam suas vidas. Vão tentar realizar esse sonho em uma terra muito distante e desconhecida: o Brasil, a recém-criada Colônia Dona Francisca, atual cidade de Joinville.

A adaptação foi terrível; Joinville não oferecia infra-estrutura adequada, tudo era diferente: o clima, a fauna, a flora, o idioma, a culinária, as técnicas agrícolas, as moradias. E foi justamente nesse ambiente infernal que Ottokar Dörffel se destacou.

Sua intensa participação na vida social, ajudando a criar ou dirigindo várias associações comunitárias, sua retórica eloquente, seu perfil realizador e conciliador, sua figura patriarcal e enérgica, transformaram-no em um dos personagens mais influentes da cidade. Frequentemente apareciam pessoas para pedir-lhe conselhos, desde humildes colonos até autoridades. Quando adoeceu gravemente em 1870, parentes e amigos, juntamente com sua esposa se revezaram para cuidar dele. De acordo com o relato de Ida Dörffel, todos os dias cerca de 20 a 30 pessoas vinham visitá-lo.

Suas qualidades de orador ficaram famosas; era chamado de “mestre da retórica” e sempre era convidado a discursar em eventos importantes na cidade. Ottokar Dörffel nunca foi dado a vícios, vaidades e ostentações. Manteve um estilo discreto e simples até o fim, quase como um asceta. Não tinha grandes posses materiais; interessava-se muito mais pelos bens espirituais, pela contemplação da Natureza e pelo bem do próximo.

Dörffel materializou suas crenças e suas ideias na construção de seu lar, onde residiu durante mais de quatro décadas (1864 a 1906). Sua residência foi por ele mesmo projetada para ser uma espécie de Templo sagrado, onde deveriam morar, segundo os dizeres que mandou afixar na fachada “o Amor, a Liberdade e a Piedade”.


Udo Döhler – Prefeito de Joinville

É com grande orgulho que celebramos os 200 anos de Ottokar Doerffel. Sua contribuição para o desenvolvimento de Joinville é inestimável. Nos primórdios da Colônia Dona Francisca, o vereador e prefeito Ottokar Doerffel batalhou para consolidar os princípios que balizaram Joinville como uma cidade trabalhadora e justa. Pensador incansável, graças a ele nossa cidade contou com o jornal Kolonie-Zeitung.

Sua casa tornou-se sede do Museu de Arte, o símbolo perfeito do imenso legado cultural que Ottokar Doerffel deixou no município. Cabe a todos nós honrar seus ensinamentos e continuarmos zelando por Joinville, a cidade que ele tanto amou.

Álvaro Cauduro – Presidente Harmonia Lyra

Tal qual a luz das estrelas que viajam no espaço e no tempo, iluminando o escuro da noite, assim também brilham nossos antepassados mostrando-nos o caminho.

No céu de Joinville, Ottokar Dörffel sem dúvida é uma luz de grandeza inigualável.

Homem de múltiplos talentos dedicou seu tempo a inúmeras tarefas importantíssimas na formação da nossa identidade joinvilense, como político, como empresário, como jornalista, escritor e advogado; alcançando respeito e admiração de seus pares.

Mas no seu dizer, o trabalho mais significativo que realizou foi em prol da cultura, ocupando a função de Diretor Artístico da Sociedade Harmonia Lyra por 25 anos ininterruptos, sociedade que fundou e que este ano completa 160 anos de trabalhos dedicados a melhorar a vida das pessoas através da arte e da cultura.

A importância do seu legado como pilar fundamental do nosso desenvolvimento é inestimável.