Harmonia Lyra comemora aniversário de 158 anos com o lançamento do projeto “Ópera de Bolso”

No longínquo 31 de maio de 1858, Ottokar Doerffel , Eduard Trinks, Otto Niemeyer , Jean Bauer e outros 21 abnegados reuniram-se na sala aos fundos da casa comercial dos Trinks para criar uma entidade de caráter social que oferecesse entretenimentos nobres principalmente, como anotado na Ata, “por intermédio da cultura da arte dramática, da música, do canto e da dança”.

Estava, pois fundada a Sociedade Harmonie, que mais tarde veio a se chamar Harmonia-Lyra.
Consignaram ainda na ata de fundação as seguintes palavras “E, se a Harmonie vencer os anos, vitoriosamente, que nossos herdeiros saibam conservá-la com igual carinho que de nós terá. Para estímulo dos nossos filhos, deixaremos nesta Ata estas luminosas palavras de Goethe: Luta por conservar o que teus pais te legaram”.

Neste mês de maio estamos contabilizando 158 anos deste evento que pode ser classificado como dos mais relevantes
na história e destino desta cidade.
Não fosse o investimento no desenvolvimento cultural da sua gente, Joinville jamais teria se tornado o que é hoje. As grandes empresas não teriam se desenvolvido, a riqueza que aqui circula teria estacionado em outras paragens, talvez até fora do Brasil.

Revendo este pedaço da história, por vezes penso com que orgulho estes 25 visionários apreciariam os frutos gerados desta iniciativa?
A cidade tornou-se uma potência muito maior e mais desenvolvida do que a maioria de suas próprias cidades de origem. É também a capital mundial da dança, cuja primeira escola da cidade se formou justamente nas dependências da Sociedade Harmonia Lyra com a Prof. Lyselote Trinks, pioneira nos Festivais de Bailado, gênese do Festival de Dança, cuja edição inaugural aconteceu na
Harmonia Lyra.

Ali também se apresentaram grandes artistas, nacionais e internacionais, mas seguramente o papel mais significativo desta Sociedade foi o de dar o espaço e a oportunidade às pessoas da sua própria comunidade para se desenvolver social e culturalmente.

Este aniversário será marcado pela realização de duas apresentações abertas ao público, da versão reduzida para piano e solistas da ópera La Traviata de Giuseppe Verdi, obra esta que além de seu insuperável conteúdo dramático, guarda uma inusitada relação temporal com Joinville e a Harmonia-Lyra. Joinville nasceu em 1851, a Harmonie, em 1858 e La Traviata em 1853. Uma cidade, uma sociedade, uma obra, contemporâneas, sesquicentenárias, atuais e indispensáveis. ÁLVARO CAUDURO, presidente Sociedade Harmonia Lyra.

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A OBRA

La Traviata, em tradução livre, “a mulher caída”, é baseada no romance “A Dama das Camélias” de Alexandre Dumas Filho. Estreou em 1853, no Teatro La Fenice, em Veneza. É um dos títulos mais queridos do repertório lírico, dada a força dramática obtida por Verdi, ao juntar música e cena com grande maestria.

SINOPSE

Paris, ano de 1850. É noite de festa na casa de uma famosa e desejada cortesã, Violetta, que é protegida e mantida por um Barão. O jovem Alfredo declara seu amor a Violetta, que fica impactada com as palavras e promessa de um sentimento que jamais conheceu. Ao final da festa, Violetta se ve em dúvida entre seguir com sua vida frívola ou entregar se a um verdadeiro amor. A aria “Ah fors’e lui” expressa toda essa contradição, num dos trechos mais difíceis do repertório de soprano. Três meses se passaram, Violetta e Alfredo iniciam um relacionamento amoroso e vão morar em uma casa de campo, a fim de afastar-se da vida passada e também de restaurar a saúde de Violetta, acometida de tuberculose. Alfredo canta sua paixão na ária “Deh miei bollenti spiriti”. Violetta recebe a visita de Giorgio Germont, pai de Alfredo, que pede para afastar-se de seu filho: seu relacionamento mancha a reputação da família, e impede o casamento da irmã com um nobre, que se recusa a aceitar tal situação. Num longo e dramático duo, Germont convence Violetta, que aceita sacrificar seu amor pela honra da família. Ela deixa um bilhete a Alfredo, dizendo que retorna a sua vida de cortesã, indo a uma festa. Ao ler tal bilhete, Alfredo interpreta como traição e decide se vingar, Giorgio Germont tenta em vão consolar o filho, na célebre ária “Di Provenza il mar il suol”. Alfredo encontra Violetta na festa e, furioso, atira-lhe dinheiro, como pagamento pelo seu tempo com ela. Um mês mais tarde, Violetta encontra-se em estado terminal provocado pela tuberculose. Ela recebe uma carta do pai de Alfredo, com remorso da sua atitude, dizendo que revelou a verdade ao filho, e que virá para o seu perdão. Ao retorno de Alfredo e Germont, Violetta sente-se reanimar, porém doente e enfraquecida, falece em seguida.

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O COMPOSITOR

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi (Roncole, 10/10/1813 — Milão, 27/01/1901) foi um compositor de óperas do período romântico italiano, na época considerado o maior compositor nacionalista da Itália.
Foi um dos compositores mais influentes do século XIX. Suas obras são executadas com frequência em casas de ópera em todo o mundo, transcendendo os limites do gênero.

OS ARTISTAS

Alicia Cupani, Violetta

Natural da Argentina, estudou com Neyde Thomas (Escola de Música e Belas Artes/Curitiba) e Liborio Simonella (Buenos Aires/ Argentina). Integrou diversos grupos incluindo o Coro Sinfônico de Paris, França. Como solista tem se apresentado em diversas óperas, obras sacras e recitais de câmara. Em 2009 recebeu o Prêmio Franklin Cascaes de Cultura pelo o espetáculo Imagens de Ópera, criado em parceria com o pianista Eugênio Menegaz e a diretora Sulanger Bavaresco. É Licenciada em Música, Especialista em Educação Musical, e Mestre em Musicologia. Desde 2008, é professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Em 2013 recebeu o Prêmio Personalidade Musical do Ano, concedido pela Academia Catarinense de Letras e Artes.

Thompson Magalhães, Alfredo

Graduado em música pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), estreou como Alfredo, na ópera La Traviata de Verdi do Projeto VivaVoz da UDESC, em 2013. Participou da ópera Carmen, produção da Cia de Ópera de Santa Catarina, no papel de Dancaïre. Em 2015 participou do Miami Summer Music Festival (MSMF), cantando em produções do MSMF Opera Institute, no Zarzuela Program e na qualidade de ‘top performers’ do festival atuou sob a direção do maestro Michael Rossi. Atuou como Ferrando na opera Cosi fan Tutte de Mozart na Companhia Opera Fusion em Fort Lauderdale/Fórida (EUA). Ali trabalhou com o consagrado barítono americano Dean Peterson e com Birgit Fioravante, Paul OffenKrantz (Boyton Beach\Fl) e Many Perez (Miami\Fl).

Douglas Hahn, Germont

Natural de Joinville, teve sua formação com Rio Novello e Neyde Thomas em Curitiba/PR. Fez sua estreia em Florianópolis em 1996 com a ópera Il Guarany e no ano seguinte estreou no Theatro Municipal de São Paulo iniciando assim sua trajetória nos mais importantes teatros e salas de concerto do Brasil e América do Sul. Recebeu o Troféu Aldo Baldin pela Pró Música de Florianópolis. Destacam-se em seus últimos trabalhos: estreia na Sala São Paulo junto a OSESP com a Oitava Sinfonia de Mahler; estreia no Teatro Colón de Buenos Aires com um Ballo in Maschera; Teatro Amazonas em Manaus com L’Amore dei ter rè. Iniciou a termporada 2015 no Theatro São Pedro (SP) com a ópera L’Amore dei tre rè e Falstaff; e Le Nozze di Figaro no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre seus compromissos para 2016, a ópera Don Pasquale em Porto Alegre e Il Trovatore em São Paulo.

Sergio Bellozupko, Narrador

Ator, produtor e apresentador com formação em História (UFSC). Foi assessor técnico da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, onde coordenou várias edições do Festival de Teatro Isnard Azevedo e da Maratona Fotográfica de Florianópolis. Foi apresentador do programa Bem Cultural da TVBV e mestre de cerimônias da Prefeitura de Florianópolis em diversos eventos. Participou de trabalhos de cinema e seriados da RBS TV (Cem anos de Histórias, Um Século de História e Os Imigrantes Italianos, de Tânia Lamarca). Integrante do Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz, destaca-se suas atuações nos espetáculos Catarina – Uma Ópera da Ilha, Quinnipak – mundos de vidro, Jardim das Delícias e Rádio Loquaz – pausas de se ouvir e nas óperas O Barbeiro de Sevilha e La Serva Padrona. uale em Porto Alegre e Il Trovatore em São Paulo.

Matheus Alborghetti, Piano

Nascido em Pederneiras/SP, iniciou seus estudos musicais na Escola de Música Villa-Lobos da Casa da Cultura em 2005. Tem se dedicado aos estudos de piano e entre outras atividades desenvolve acompanhamento com o coral da Sociedade Lírica de Joinville e o projeto “Stein” de restauração do piano da Sociedade Lírica. Recentemente começou a desenvolver trabalho de música de câmara no projeto “Interlúdio” e acompanhamento com o barítono Douglas Hahn, na Sociedade Harmonia Lyra de Joinville. Participou do FEMUSC 2015/2016 como pianista co-repetidor na classe de canto lírico do renomado barítono canadense Gino Quílico, atuando na preparação da ópera Carmen.

DIREÇÃO MUSICAL

Alessandro Sangiorigi

Nascido em Ferrara, Itália, formado pelo Conservatório de Milão, iniciou sua carreira internacional em Israel em 1989, regendo a Jerusalem Symphony Orchestra. Foi maestro convidado e residente de algumas das mais importantes orquestras do Brasil e em toda Europa. Em dezembro de 2009 foi agraciado pelo Presidente da Repubblica Italiana com o título de “Cavaliere dell’Ordine della Solidarietà”, concedido pelos méritos artísticos
conseguidos no Exterior. De 2011 a 2012 foi Principal Guest Conductor na Opera Nacional de Sofia (Bulgária), com a qual estreou no Japão,
apresentando “Tosca” de Puccini e “Cavalleria Rusticana” de Mascagni em 11 cidades, incluindo Tóquio, no famoso Bunka Kaikan Hall.
Em 2015 foi convidado como novo Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina e da Opera Orchestra Curytiba.

DIREÇÃO CÊNICA

Sulanger Bavaresco

Graduada em Artes Cênicas pela UDESC e atuando no âmbito teatral desde 1984 desempenhou funções de direção, direção assistente, iluminadora e dramaturga em mais de 30 espetáculos de Teatro e Ópera. Criou em 1993 o Festival de Teatro Isnard Azevedo e foi Gerente do Teatro da UBRO no período de 2004 a 2008. Integra a Academia Catarinense de Letras e Artes e é Presidente e diretora do Grupo de Teatro O Dromedário Loquaz. Dirigiu entre outros, os espetáculos Imagens de Ópera, Árias Públicas, Um deus dormiu lá em casa e Spollium – as irmãs siamesas. Desde 2005, é assistente de Direção das montagens de ópera feitas pela Pró-Música de Florianópolis e Cia de Ópera de Santa Catarina. Pela Camerata Florianopolis dirigiu as operetas La Serva Padrona (Pergolesi), O Empresário (Mozart) e A Cantata do Café (J.S.Bach).

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INFORMAÇÕES

O QUÊ: Projeto Ópera de Bolso – La Traviata
QUANDO: 31 de maio e 1 de junho de 2016
ONDE: Sociedade Harmonia Lyra
ENDEREÇO: Rua 15 de Novembro, 485, Centro, Joinville/SC
INGRESSOS: 3 quilos de alimentos não perecíveis, arrecadação em prol do Lar Abdon Batista.

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO ARTÍSTICA: Douglas Hahn
ILUMINAÇÃO: Marco Ribeiro
FIGURINOS: José Alfredo Beirão
PRODUÇÃO: Simone Vieira Beckhauser
ASSISTENTE TÉCNICO: Cassio Correa
MAQUIAGEM & CABELO: Marlon Zé
OPERAÇÃO DE LEGENDA: Vera Zucco
SEC. EXECUTIVA: Rosita Schubert Andrade
ASS. DE COMUNICAÇÃO: Simone Vieira Beckhauser
DESIGN GRÁFICO: Jackson Taschner